O professor e historiador inglês Herbert Read refletiu e descreveu sabiamente sobre as relações viáveis entre a arte e os objetos utilitários. Para tanto, utilizou um feliz e inteligente recurso poético, onde situa hipoteticamente um homo sapiens colocando no topo de uma montanha duas pedras aproximadamente planas, uma horizontal e outra verticalmente, criando assim a idéia primeira do objeto cadeira.
A pergunta que o professor nos coloca até hoje é se tal objeto teria (ou deveria ter) a função básica de descansar o corpo humano ou de admirar a paisagem ?
Imagino que esta pergunta brilhante e iluminada pode alimentar a magia que as imagens e os inventos em geral propiciam e instigam tanto a humanidade.
A resposta pode estar em cada um ou em como cada um acredita ou necessita acreditar na vida.
Apresentando agora a artista plástica Laura Nehr, percebo que ela também nos pergunta.
Pergunta quando a sua pintura sugere jogos dinâmicos com objetos e coisas. Parece que a artista propõe uma “coisificação“ objetual no plano bidimensional daquilo que não se vê literalmente, mas que pode tornar-se visível num outro plano ainda mais inventado.
Também usa a cor das tintas meramente como uma referência simbólica onde as gamas tonais vão do branco ao preto e basta.
É possível que a metáfora das pedras para Laura Nehr sejam os arames.
Os objetos aramados soltos em planos etéreos podem indiciar lembranças dos desenhos estruturais das coisas. São, na verdade, saudades desenhadas das estruturas das coisas ainda não realizadas.
Acredito no trabalho de Laura porque venho acompanhando o processo de desenvolvimento do seu projeto artístico e na incisiva vontade e disciplina que tanto caracterizam a imagem doce e forte que é Laura Nehr.
Vai em frente, enfrente a montanha.
Prof. Dr. Alcindo Moreira Filho
Laura Nehr é artista plástica e professora universitária. Formada em artes pela ECA-USP, tem mestrado em Artes Visuais. Participou de vários Salões de Arte e exposições coletivas, obtendo inúmeras premiações. Expôs individualmente em vários museus, demostrando seu talento marcante no desnho, pintura e escultura.
Se a vida é um eterno ciclo, Laura veio para revigorar a arte contemporânea, suas vertentes e se consolidar como uma das grandes novidades do cenário artístico.
Para esta nova exposição no Museu Histórico e Pedagógico Bernardino de Campos de Amparo, a artista traz uma nova série de desenhos e esculturas, lembrando que a vida necessita de leveza e poesia.
Diná Jobst. Curadora.
Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo